Gaza na Bíblia: A Terra dos Filisteus e a Força de Sansão
Muito antes das manchetes atuais, Gaza já era palco de batalhas espirituais. Descubra a história da queda do templo de Dagom e o legado desta terra milenar.
Quando ouvimos o nome "Gaza" nos noticiários hoje, vemos imagens de conflito, túneis e guerra urbana. Mas para o leitor atento das Escrituras, Gaza evoca memórias muito mais antigas. Esta estreita faixa de terra costeira é um dos cenários mais recorrentes e turbulentos de toda a narrativa bíblica.
Gaza não é apenas um ponto no mapa geopolítico atual; ela é uma das cidades mais antigas do mundo, mencionada pela primeira vez em Gênesis 10:19, descrevendo as fronteiras dos cananeus. Mas foi com a chegada de um povo misterioso vindo do mar que a história de Israel com essa região se intensificou: os Filisteus.
Quem eram os "Senhores de Gaza"?
Biblicamente, os filisteus eram os grandes arquirrivais de Israel no Antigo Testamento. Eles não eram nativos da região, mas vieram de Caftor (provavelmente a ilha de Creta). Eles se estabeleceram na costa e formaram uma "Pentápole", uma confederação de cinco cidades-estado poderosas:
- Asdode (centro religioso)
- Asquelom (porto comercial)
- Ecrom
- Gate (terra do gigante Golias)
- Gaza (a capital militar e comercial do sul)
Gaza, especificamente, controlava a "Via Maris" (Caminho do Mar), a principal rota comercial entre o Egito e a Mesopotâmia. Quem controlava Gaza, controlava o dinheiro e o trânsito do mundo antigo. Não é à toa que sempre foi um local de disputa.
Sansão: O Juiz que abalou Gaza
A história mais famosa envolvendo Gaza encontra-se no livro de Juízes. Sansão, o homem dotado de força sobrenatural pelo Espírito de Deus, tinha uma relação complicada com esta cidade. Foi lá que ele se apaixonou por uma prostituta (Juízes 16:1) e, quando os gazitas cercaram a cidade para matá-lo, ele realizou um feito impressionante:
Sansão arrancou os portões da cidade de Gaza — com batentes, tranca e tudo — colocou-os nos ombros e os carregou até o topo de um monte em Hebrom. Naquela época, arrancar o portão de uma cidade era o símbolo máximo de humilhação para os inimigos. Sansão deixou Gaza "aberta" e indefesa.
A Queda do Templo de Dagom
Porém, a história de Sansão em Gaza tem um desfecho trágico e redentor. Após ser traído por Dalila e ter seus olhos furados, Sansão foi levado cativo para Gaza para moer grãos na prisão. Os filisteus celebraram, atribuindo a vitória ao seu deus, Dagom (uma divindade associada à agricultura ou aos peixes).
— Juízes 16:28
Durante uma grande festa no templo de Dagom em Gaza, com cerca de 3.000 pessoas no terraço, Sansão foi trazido para divertir as multidões. Apoiando-se nas colunas centrais que sustentavam o templo, ele empurrou a estrutura com sua última força dada por Deus. O templo desabou, matando mais inimigos de Israel na sua morte do que durante toda a sua vida.
Arqueólogos que escavaram templos filisteus em locais próximos (como Tel Qasile) confirmaram que a arquitetura da época realmente usava dois pilares centrais de sustentação, muito próximos um do outro — validando a descrição bíblica de que um homem poderia alcançar ambos.
Gaza nas Profecias Bíblicas
Não foi apenas em Juízes que Gaza apareceu. Os profetas maiores e menores lançaram sentenças pesadas sobre a região, muitas vezes devido ao orgulho e à crueldade de seus habitantes contra o povo de Deus.
O profeta Amós (1:6), por exemplo, condenou Gaza por deportar comunidades inteiras para entregá-las a Edom. Sofonias (2:4) profetizou: "Gaza será abandonada e Asquelom ficará desolada". Ao longo dos séculos, a cidade foi destruída e reconstruída por faraós, por Alexandre o Grande, pelos Macabeus e pelos romanos.
Reflexão para Hoje
Ao olharmos para Gaza hoje, vemos uma terra que ainda geme sob conflitos. Embora os filisteus bíblicos tenham desaparecido como povo distinto (eles foram assimilados pelos babilônios séculos antes de Cristo e não são os ancestrais diretos dos palestinos modernos, embora o nome "Palestina" venha de "Filistia"), a região geográfica continua sendo um ponto de tensão espiritual.
A história de Gaza na Bíblia nos ensina duas coisas fundamentais enquanto tomamos nosso café:
- A Soberania de Deus sobre as Nações: Impérios surgem e caem, cidades fortificadas desmoronam (seja por mãos humanas ou divinas), mas a Palavra de Deus permanece.
- Deus ouve o clamor do arrependido: Mesmo cego e escravizado no coração do território inimigo, Sansão foi ouvido por Deus uma última vez. Não importa quão longe tenhamos ido, o Senhor está acessível a um coração quebrantado.